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quinta-feira, 21 de março de 2013

Elaborando um Mapa de Risco

      A elaboração do Mapa de Risco prevista pela Portaria nº 25 de 29 de Dezembro de 1994, acaba sendo a base de dúvida de muitos profissionais e de alunos, visto que, não são apresentados pelos professores nos cursos de formação de Técnico em Segurança, bem como para os de Engenheiro de Segurança a metodologia que demonstre sua correta elaboração.

         Vejamos um exemplo que muito pode ilustrar a dúvida de muitos.

     - No Setor da Oficina, para as Funções de Mecânico e Auxiliar de Mecânico, foi identificado o Risco Físico Ruído com a exposição à 98 dB.

         Neste panorama, qual seria o tamanho do círculo a ser inserido no Mapa de Risco: PEQUENO, MÉDIO ou GRANDE ?

        Fiz esta pergunta uma vez para um aluno e a resposta foi que o círculo deveria ser GRANDE. Então questionei por que ?

        A resposta foi que o Ruído esta Acima do Limite de Tolerância e o Risco era grande.

         Então escrevi no quadro 86 dB e o perguntei:

        - 86 dB também está Acima do Limite de Tolerência, então qual seria o tamanho do círculo ?

       A partir deste momento não houve meios do aluno justificar que tamanho de círculo deveria ser utilizado.

      Por este exemplo vemos a limitação que os alunos possuem em função da matéria ministrada.

      Inicialmente devemos entender:

O que é Mapa de Risco ?

   É uma representação gráfica dos Riscos Físico, Químico, Biológico, Ergonômico e de Acidente, identificados nos locais de trabalho, preferencialmente utilizando uma planta baixa da empresa, podendo ser completo ou setorial.

     Orientar visualmente sobre estes riscos nos diversos locais de trabalho, inerentes ou não ao processo produtivo, sendo de fácil visualização e afixado em locais acessíveis no ambiente de trabalho, para informação e orientação de todos os que ali trabalham, bem como para aqueles que eventualmente transitem pelo local.


Para que serve o Mapa de Risco ?

   Conscientizar e informar os trabalhadores através de uma fácil visualização os riscos existentes na empresa, conforme as atividades.

   Reunir as informações necessárias de modo a se estabelecer o diagnóstico da condição de segurança e saúde no trabalho na empresa.

   Possibilitar, durante a sua elaboração a divulgação destas informações entre os trabalhadores, estimulando sua participação nas atividades de prevenção de acidentes.

  No Mapa de Risco, círculos de cores e tamanhos diferentes identificam os locais e os fatores que podem gerar situações de perigo pela presença de agentes Físicos, Químicos, Biológicos, Ergonômicos e de Acidentes.




O que se Precisa saber para sua Elaboração ?

 1. Conhecer o processo de trabalho no local analisado:

  a. Os trabalhadores: número, sexo, idade, treinamentos profissionais e de segurança e saúde, jornada;

   b. Os instrumentos e materiais de trabalho;

   c. As atividades exercidas;

   d. O ambiente.


 2. Identificar os riscos existentes no local analisado, conforme a classificação específica dos riscos ambientais.


  3. Identificar as medidas preventivas existentes e sua eficácia:

    a. Medidas de proteção coletiva;

    b. Medidas de organização do trabalho;

    c. Medidas de proteção individual (C. A. válido, treinamento quanto ao uso e limitações, regularidade no fornecimento, Inspeções na área e ações administrativas quanto a não utilização;

  d. Medidas de higiene e conforto: banheiro, lavatórios, vestiários, armários, bebedouro, refeitório e área de lazer.


  4. Identificar os indicadores de saúde:

  a. Queixas mais frequentes e comuns entre os trabalhadores expostos aos mesmos riscos;

   b. Acidentes de trabalho ocorridos;

   c. Doenças profissionais diagnosticadas;

   d. Causas mais frequentes de ausência ao trabalho.


 5. Conhecer os levantamentos ambientais já realizados no local (verificando e comparando os valores e as ações adotadas quanto a atenuação ao Risco).


      Vamos então demonstrar como se poderia efetuar a Avaliaçãodo Ambiente e a aplicação "coerente" do tamanho dos círculos conforme os Riscos identificados.

          Quando mencionamos "coerência", esta é quanto a aplicação de uma análise do ambiente de trabalho e de todos os fatores que nele interagem, onde tais pontos já foram apresentados acima nos itens 1 ao 5.

            Para complementar, devemos observar nesta análise dois fatores:

               1. A GRAVIDADE representada pelo Risco;

               2. A PROBABILIDADE DE OCORRÊNCIA ao trabalhador.

           Para melhor visualização, na tabela abaixo temos um quadro que nos permitirá efetuar esta análise com mais segurança.

CRITÉRIOS

P - M - G = Identificam a GRAVIDADE

Gravidade

       É avaliado o potencial de dano do risco, caso ele se manifeste.


P - Lesões muito leves que não interferem na vida normal do indivíduo (muito baixa);

M - Lesões não permanentes; incapacitam a pessoa para atividades normais por períodos curtos, inferiores há 01 semana (baixa);

      Lesões não permanentes; incapacitam a pessoa para atividades normais por períodos médios, superiores há 01 semana (média);

G - Lesões permanentes (elevada);

     Lesões permanentes muito graves ou mortes (muito elevada).


p - m - g = Identificam a PROBABAILIDADE DE OCORRÊNCIA


Probabilidade de Ocorrência

   É avaliada a possibilidade de manifestação do risco, considerando as medidas preventivas existentes ou não, nível de treinamento das pessoas envolvidas, os procedimentos, as condições das instalações, o tempo de exposição, a frequência da tarefa, etc.

  Analisar ambos os Fatores comparando o "Tempo de Exposição" que determinará a maior ou menor Probabilidade de Ocorrência em relação a Gravidade.


Tempo de Exposição   

          p < 20% da jornada de trabalho.

         m > 20% e < 50% da jornada de trabalho

        g > 50% da jornada de trabalho


     Esta metodologia não pode ser considerada como definitiva ou a melhor aplicável, devendo o profissional promover novas ferramentas que possam acrescentar melhorias na análise, permitindo assim a identificação do tamanho do círculo sem "achismos" ou por "deduções", mais sim através de técnicas que comprovem a condição real e aplicável.